OUTUBRO ROSA EXPÕE BAIXA COBERTURA DE MAMOGRAFIA NO CEARÁ

CEARÁ E ETC

Estado registrou cobertura de 17,8% dos exames de rastreamento em 2025, abaixo da média nacional, de 22%; médica aponta barreiras de acesso e destaca a importância do diagnóstico precoce

O Ceará registrou cobertura de 17,8% dos exames de rastreamento do câncer de mama em 2025, abaixo da média brasileira, de 22%. Os dados são de estudo publicado pelo Observatório de Oncologia e colocam em discussão o acesso à mamografia durante a campanha Outubro Rosa. Para o período de 2026 a 2028, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 3.250 novos casos da doença por ano no estado.

A mamografia permite identificar alterações no tecido mamário antes do aparecimento de sintomas. Segundo Maria Luiza Gonçalves Brandão, médica da área de ginecologia do AmorSaúde, rede de clínicas parceiras do Cartão de TODOS, o diagnóstico nas fases iniciais pode ampliar as chances de sucesso do tratamento.

Barreiras ao acesso

A baixa realização de exames de rastreamento pode contribuir para que casos de câncer de mama sejam identificados em estágios avançados, quando os tumores podem apresentar maior tamanho e comprometimento dos gânglios. Nessas situações, o tratamento pode exigir abordagens mais complexas.

Entre os fatores que dificultam a realização da mamografia estão a falta de informação, o receio do procedimento ou do resultado, as dificuldades para agendar exames, a distância dos serviços de saúde e a demora no atendimento.

Para ampliar a cobertura, Maria Luiza aponta a necessidade de aumentar a oferta de exames, facilitar o agendamento, promover ações de informação nas comunidades e agilizar a investigação de alterações identificadas nos resultados.

Faixa etária e periodicidade

A orientação para a realização da mamografia depende da idade, do histórico familiar e dos fatores de risco de cada mulher. As diretrizes do Ministério da Saúde atualizadas em 2025 estabelecem critérios para o rastreamento.

Para mulheres de 40 a 49 anos, o exame pode ser realizado após avaliação individualizada e decisão compartilhada com o profissional de saúde. Na faixa dos 50 aos 74 anos, a recomendação é fazer mamografia a cada dois anos, mesmo na ausência de sintomas.

Após os 74 anos, a indicação deve considerar as condições de saúde e a expectativa de vida. Mulheres com alto risco para a doença podem precisar iniciar o acompanhamento mais cedo, conforme avaliação médica e protocolos específicos.

Em dezembro de 2025, a Lei nº 15.284 assegurou o direito à mamografia anual para mulheres a partir dos 40 anos. A realização do exame, contudo, deve considerar as orientações clínicas e os critérios de rastreamento aplicáveis a cada caso.

A presença de alterações nas mamas exige avaliação profissional, sem que a mulher espere pela próxima mamografia de rotina. Entre os sinais de alerta estão nódulos persistentes, caroços endurecidos ou em crescimento, secreção com sangue em um dos mamilos, retração da pele ou do mamilo e alterações na aparência da mama, como o aspecto de casca de laranja.

O aparecimento de nódulos ou aumento dos gânglios na axila também deve ser investigado. A presença desses sinais não confirma, por si só, o diagnóstico de câncer, mas requer atendimento médico para identificar a causa e definir a necessidade de exames complementares.

“ Ao perceber esses sinais, é muito importante procurar um atendimento profissional o quanto antes. Nos casos em que há achados suspeitos, exames complementares, como a biópsia, podem ser solicitados para confirmar o diagnóstico”, orienta Maria Luiza.

A ampliação do acesso à informação, aos exames e ao acompanhamento médico faz parte das estratégias para enfrentar as barreiras à prevenção e ao diagnóstico do câncer de mama. A campanha Outubro Rosa busca reforçar essa discussão e estimular o cuidado com a saúde da mulher durante todo o ano.

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