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CANETAS EMAGRECEDORAS ENTRAM NO DEBATE SOBRE SAÚDE MENTAL; ENTENDA A RELAÇÃO ENTRE METABOLISMO E TRANSTORNOS PSIQUIÁTRICOS

ESPECIAIS

Psiquiatra explica como alterações metabólicas e inflamatórias podem interferir no tratamento de quadros como depressão, transtorno bipolar e esquizofrenia

As chamadas canetas emagrecedoras deixaram de ser discutidas apenas no contexto da perda de peso e passaram a integrar debates sobre metabolismo e saúde mental. Para o psiquiatra Danillo Bastos, o controle de alterações metabólicas e de processos inflamatórios pode contribuir para a resposta ao tratamento de determinados transtornos psiquiátricos. A estratégia, porém, não substitui antidepressivos, estabilizadores de humor, antipsicóticos ou outras terapias indicadas para cada paciente.

Segundo o especialista, a relação está no funcionamento do organismo. O metabolismo reúne os processos pelos quais o corpo transforma e utiliza nutrientes e energia. Alterações nesse sistema podem estar associadas a processos inflamatórios que, em determinados pacientes, precisam ser considerados durante a avaliação psiquiátrica.

A abordagem, segundo Danillo, deve envolver alimentação, sono, atividade física e acompanhamento médico. A investigação de processos inflamatórios pode ser feita, entre outras formas, por meio de exames que avaliam marcadores como proteína C-reativa (PCR) e fibrinogênio.

O psiquiatra compara o funcionamento do organismo ao de um carro que permaneceu muito tempo parado. Mesmo funcionando, um veículo que apresenta problemas de manutenção pode exigir mais esforço para rodar. A analogia é utilizada para explicar como alterações metabólicas podem influenciar as condições do organismo durante o tratamento.

A discussão também não se restringe à depressão. Danillo cita o transtorno bipolar, que pode apresentar alterações inflamatórias, e a esquizofrenia, cujos tratamentos podem estar relacionados a mudanças metabólicas.

A segurança dos medicamentos utilizados para perda de peso também é acompanhada pela comunidade médica. Dados recentes apresentados em congresso médico não indicam, até o momento, uma relação direta entre o uso de análogos de GLP-1 e aumento de riscos psiquiátricos.

Isso não significa, segundo o especialista, que os medicamentos possam ser utilizados sem acompanhamento. A indicação deve considerar as características clínicas e as necessidades de cada paciente.

Outro ponto de atenção é a perda de massa muscular. Como as medicações podem reduzir o apetite e, consequentemente, a ingestão de alimentos, o tratamento precisa considerar alimentação, atividade física e preservação da massa muscular.

O uso de medicamentos para controle do peso, portanto, deve ocorrer com indicação e acompanhamento profissional, especialmente quando associado ao tratamento de transtornos psiquiátricos.

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