O crescimento das empresas brasileiras tem sido influenciado por fatores que vão além do cenário econômico, do acesso a crédito e da concorrência. Especialistas em estratégia empresarial apontam que crenças limitantes presentes no discurso de empreendedores seguem como um dos principais obstáculos ao desenvolvimento dos negócios.
Expressões como “o mercado está saturado”, “não sou bom em vendas”, “não tenho dinheiro para investir” ou “não tenho tempo para aprender” afetam decisões estratégicas e a forma como empresários lidam com desafios. Dados do Global Entrepreneurship Monitor (GEM) indicam que parte significativa dos negócios que não avançam no país está relacionada à maneira como os empreendedores avaliam riscos, reagem a dificuldades e tomam decisões, e não apenas à escassez de recursos financeiros.
A superação dessas crenças está associada a mudanças de postura na condução dos negócios. Empresários que passam a buscar diferenciação deixam de tratar o mercado como saturado e identificam oportunidades por meio de posicionamento, definição de proposta de valor e análise do comportamento do consumidor. A compreensão das vendas como elemento central da estratégia também influencia resultados e a manutenção das empresas.
Outro aspecto apontado por especialistas é a percepção sobre investimento. O crescimento costuma ser associado a aportes financeiros elevados, embora avanços ocorram, em muitos casos, a partir de planejamento, organização interna, validação de ideias e escolhas estratégicas. A gestão do risco faz parte desse processo, considerando que empreender envolve incertezas e decisões contínuas.
O uso do tempo também aparece como fator relevante. Aprendizado contínuo, revisão de prioridades e foco em atividades que impactam o desempenho do negócio têm relação direta com a capacidade de adaptação das empresas em ambientes de mudança.
Para Tatianne Teófilo, CEO do Grupo Avance, o ponto de partida para o crescimento está na mentalidade do empresário.
“Muitos negócios não deixam de crescer por falta de mercado ou de capital, mas por crenças que limitam a visão do empresário. Quando há mudança na forma de pensar, as decisões se tornam mais estratégicas e o negócio ganha clareza de direção”, afirma.
Estudos da McKinsey & Company apontam que empresas conduzidas por lideranças com foco em aprendizado contínuo apresentam maior capacidade de atravessar períodos de instabilidade e manter crescimento ao longo do tempo. Nesse cenário, a revisão de crenças passa a integrar o planejamento estratégico de negócios que buscam continuidade no mercado.
